Inúmeras
são as vantagens dessa iguaria que já era consumida pelos índios quando aqui
chegamos. A tapioca que além de saciar a fome com maior facilidade ainda possui
várias características benéficas a nossa saúde como vitamina do complexo B,
Ferro, Cobre e potássio, além de ajudar no ganho do peso saudável, aumento da
circulação sanguínea, ajuda na proteção contra defeitos congênitos, melhora na digestão
e no metabolismo, redução no colesterol e contribuição na prevenção do
diabetes, como também previne a doença de alzazheimer e do coração. Produzida
através do amido da mandioca, somente acrescentando água e sal este produto
pode ajudar no equilíbrio hídrico do corpo e pode ser consumido por qualquer
pessoa, inclusive quem é diabético, ou seja, não tem contraindicação desde que
não haja excesso. Outra característica da tapioca é sua riqueza em carboidrato
por ser feita apenas do amido da mandioca. Podemos citar também a falta de glúten,
podendo então ser consumida por pessoas portadoras de doença celíaca sem problemas,
além do mais em sua forma natural é um produto livre de açúcar e gordura.
Desde
a antiguidade que os grupos humanos vêm domesticando animais e plantas em seu
benefício, deixando assim de viver só do que a natureza lhe oferecia
naturalmente. No Oriente Médio por exemplo as evidencias são que a cerca de
8500 A.C. os Egípcios e o pessoal da Mesopotâmia já dominavam o cultivo da
cevada e do trigo dando origem ao chamado crescente fértil. A China domesticou
o arroz em torno de 8000 A.C., enquanto a América desenvolveu entre 8000 e 1000
A.C. o cultivo de alimentos como o milho, abóbora, batata e feijão. Por sinal a
tapioca pode ser produzida através do amido de milho e da batata também, mas
vamos tratar somente da tapioca produzida através da mandioca.
No
Brasil a estimativa é que a mais ou menos 6500 A.C. os Índios começaram a
domesticação da mandioca, por isso quando os Portugueses chegaram já
encontraram esta planta dominada pelos nativos, sendo esta uma das mais
importantes na dieta das populações indígenas, seja no preparo da Tapioca,
farinha ou até mesmo de bebidas.
Considerada
um produto de baixo custo e de fácil manuseio devido a sua cultura não precisar
de grandes cuidados, além de poder ser cultivada em grande escala por causa do
nosso clima favorável ao seu cultivo, a mandioca acabou fazendo parte da base alimentar dos
africanos que chegaram ao Brasil como escravos, sendo muitas vezes um dos poucos
alimentos nos porões da vida cativa, tanto que no século XVII tinha uma legislação determinando que plantadores de cana de açúcar deveriam reservar um pedaço de terra para que os escravos plantassem mandioca para seu sustento, o que nem sempre acontecia. Por outro lado, nos quilombos a casa de
farinha era quase que obrigatório, pois era dela que saía o sustento das
famílias aquilombadas através dos produtos como a farinha e claro a tapioca,
considerada o primeiro pão brasileiro.
Joardelina Edelci
Em nosso quilombo as irmãs Edelci e Joardelina (Jorde) vem mantendo a tradição
herdada da sua mãe na casa de farinha, onde a farinha não é o principal produto
da casa e, sim a tapioca que é inclusive considerada uma das melhores da região.
Antigas
moradoras do quilombo da Laranjeira do outro lado do rio Imbé, as irmãs
nasceram na lida da casa de farinha de sua mãe dona Doralice, onde faziam
farinha e tapioca para consumo próprio e quando sobrava vendia para a
vizinhança. Com o passar dos anos acabaram por vir morar em Conceição do Imbé
devido ao trabalho de seus maridos que eram operários da Usina Novo
Horizonte. Edelci por exemplo diz que “antes
vinha da laranjeira fazia o trabalho e voltava, mas depois vim pra cá por causa
do cansaço”. Com Jorde também não foi diferente, devido ao trabalho do seu
marido acabou vindo morar aqui dando continuidade à sua luta na fabricação de
farinha e tapioca.
Para
essas tapioqueiras as dificuldades não são empecilhos para manter a tradição,
pois se depender delas as tapiocas vão ter vida longa no quilombo de Conceição
do Imbé e, as novas gerações já estão sendo treinada para que as tapiocas sejam
mantidas na comunidade. Joardelina conta que antes tinham mais de 10 casas de
farinha no Quilombo, mas que com o tempo as pessoas foram buscando sustento na
cidade e acabaram por abandonar as casas de farinha, fazendo com que hoje se
resumisse a somente duas em atividade, o que na visão da mesma é uma grande
perda cultural para a comunidade.
Manter
a tradição é a vontade dessas duas lutadoras em defesa da cultura quilombola em
nossa região, pois no mundo capitalista não é fácil trabalhar duro e ganhar
pouco, pois desde a colheita da mandioca até o produto final o trabalho é duro
e cansativo, mas para elas o que vale é a independência e a esperança de dias
melhores, seja na melhoria de suas casas de farinha para que tenham uma
condição de trabalho mais favorável, seja na ajuda da família para dar conta da
responsabilidade que é manter viva a cultura dos seus antepassados.
Polvilho para fazer tapioca
Normalmente
quando estamos saboreando a tapioca nem imaginamos no processo que ela passa
até chegar a nossa mesa, contudo para que isso aconteça é preciso primeiramente
colher as raízes na roça, depois da raspa a mandioca é passada no moinho e será
prensada para retirar toda a água a qual vai ficar descansando por mais ou
menos um dia e dar origem ao amido que será passado na peneira e só depois
colocada no forno em pequenas porções dando formato a nossa tapioca.
A
tapioca vem ganhando cada vez mais a preferência da sociedade nos últimos anos,
devido aos seus benefícios para a saúde, como também aos incrementos de acordo
com o gosto de cada um. Aqui a tapioca tradicional é quem dita o ritmo, mas a
pedido do cliente pode sair outros tipos como tapioca doce e com recheio. Hoje
em dia descobrimos que esse alimento pode ser incrementado com qualquer tipo de
recheio, dentre eles podemos citar frango desfiado, banana com mel, queijo,
leite condensado e praticamente tudo que você quiser. Vale lembrar que de
acordo com o recheio os efeitos benéficos vão ser alterados e por isso é
preciso cautela no consumo, porém com essa variedade de acompanhamentos será
muito difícil fazer regulação na quantidade desta que é símbolo da cultura
quilombola no Brasil.
Pesquisa de apoio:
Revista Ciência Hoje,
número 326 / volume 55, junho de 2015.
Artigos: Joice Lima de
Oliveira e Sônia de Souza Mendonça Menezes A TAPIOCA E SUAS REIVENÇÕES:
TRADIÇÃO E INOVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE REPRODUÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA DE GRUPOS FAMILIARES
NA GRANDE ARACAJU
Lairte Almeida




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