terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Griôs são homenageados no terceiro encontro cultural das comunidades quilombolas do Quipea.

                                                                         


Aconteceu neste domingo dia 06 de dezembro de 2015 na cidade de presidente Kennedy no Espírito Santo o terceiro evento cultural das comunidades quilombolas do quipea. O encontro contou com um número em torno de duas mil pessoas pertencentes as vinte comunidades que são atingidas pela exploração de petróleo na região do Espírito Santo e Rio de Janeiro, onde cada comunidade levou um pouco de sua cultura e seus produtos para compartilhar com os presentes.
Produtos como artesanatos, doces, tapiocas e outros produtos produzidos pelos quilombolas foram expostos no encontro, enquanto na parte cultural tivemos Quadrilha, Ciranda de roda, Jongo, Capoeira e grupos musicais dando o tom da festa e mantendo a cultura popular mais viva do que nunca. No entanto o ponto alto do episódio foi a homenagem que foi feita aos Griôs das comunidades, pessoas com experiência de vida e detentoras de saberes que são passados para os mais jovens através da oralidade, estes foram lembrados e levaram um belo quadro com sua imagem para casa como reconhecimento da sua importância.
Griô ou Griot tem origem africana e refere-se àquele que passa o conhecimento adquiridos ao longo da vida para os mais jovens, fazendo com que sua ancestralidade não seja esquecida.  Os griôs são considerados os guardiões da memória e da história do seu povo, sendo então muito importante na preservação do patrimônio imaterial e cultural de sua comunidade. Sendo um artesão das palavras, o griô reconstrói o passado em um evento que inclui voz, expressão corporal e poesia, fazendo com que o ouvinte faça uma viagem no tempo através do som que dita o rumo da prosa. Graduados nas ciências da vida, essas pessoas são capazes de relatar com detalhes as transformações causadas pelo tempo ou ação do homem, seja geograficamente até comportamentos sociais como conta o nosso homenageado seu Amaro dos Santos ou como todos chamam em nossa comunidade “Tio Amaro”, representado nessa ocasião pelo seu filho Dail, pois devido a sua idade não pode comparecer pessoalmente para receber sua homenagem.

Nascido em 1924 Tio Amaro conta que chegou ainda criança na localidade de Conceição do Imbé. Lembra que aqui tinha muita mata e nenhuma estrada e para fazer um percurso maior era no lombo dos cavalos e burros de cargas. Do trabalho lembra que era nas lavouras de café e que o transporte era feito nos carros de boi e nas tropas de cavalos. Depois com o avanço da cultura canavieira os trabalhadores migraram para a lavoura em expansão e que o trabalho era braçal e sem carteira assinada. Sobre o transporte do açúcar produzido na fazenda, agora com abertura de estradas de chão tio Amaro fala que só era possível através dos carros de boi até a localidade de boa vista, onde era colocado no trem para seguir o destino final. Da localidade ele diz que morava bastante gente aqui, muitas casas e o famoso casarão que hoje não existe mais. Sobre o antigo casarão tio Amaro conta que era grande, tinha uma capela e um salão para o povo dançar. Apesar de não ter nascido na época da escravidão o mesmo lembra que tinha um porão provavelmente herança da época dos escravizados. Uma lembrança interessante nos relatou tio Amaro dizendo que tinha uma família que morava lá no sitio velho (lugar bem perto da mata e no alto da serra) e estes não trabalhavam para ninguém e sim para eles mesmos e que vinham poucas vezes ao povoado de conceição do Imbé.
Sendo bisneto de escravo, tio Amaro tem lembranças de histórias de seus pais, por exemplo, conta que seu pai dizia que tinha uma senhora muita ruim da época da escravidão chamada dona Ana Pimenta que mandava matar enforcada as escravas que não a obedecia e que não dava nada para ela, “essa era ruim mesmo” diz ele. Olha a memória passada de geração para geração aí.    
Das dificuldades descritas o que chamou a atenção foi a narração de como ele se deslocava para fazer compras ou pedir socorro quando alguém ficava doente. Mais ou menos uns 40km era a distância percorrida por ele puxando o cavalo noite a dentro para chegar ao mercado municipal de campos para vender os produtos e com o dinheiro fazer a compra do mês, coisa inimaginável para os jovens de hoje em dia que como ele mesmo diz “hoje qualquer caminhada o pessoal quer ir de moto ou de carro, naquela época não tinha outro jeito não”. Para conseguir remédio para a sua esposa quando ficava doente, o jeito era ir a São Fidélis e o trem passava em Itereré, “aqui não passava carro, era só cavaleiro”, ou seja, no mínimo umas duas horas a pé para pegar o trem e ir em busca do medicamento.    
Tio Amaro hoje no auge dos seus mais de noventa anos encontra-se lúcido e com toda sabedoria acumulada ao longo dos anos. Além de ser nosso Griô, pode ser considerado um patrimônio vivo da comunidade e é mais que justa a homenagem que recebeu. 












segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Comemoração ao dia da consciência negra 2015

Em comemoração ao dia da consciência negra a associação dos Quilombolas de Conceição do Imbé fez um almoço para a comunidade com comidas típicas. Evento de grande importância para manter as tradições culturais e fazer com que a integração entre nossa gente se mantenha de forma sólida.

                                 Nosso presidente se acabando com um prato de kantão!




                E o fogão a lenha solta a fumaça para anunciar que a comida está pronta!



                                     Nosso Presidente Edson Rocha e sua Rainha





domingo, 18 de outubro de 2015

Comunidades Quilombolas em ação

Associação dos quilombolas de Conceição do Imbé esteve presente na segunda oficina de capacitação de membros das diretorias das associações das comunidades quilombolas do Quipea, onde o palestrante Denildo Rodrigues explicou como ter acesso as políticas publicas. Foram exposto temas como acesso a terra, infraestrutura e qualidade de vida, direitos e cidadania, desenvolvimento local e inclusão produtiva entre outros. O objetivo do encontro é fazer com que as comunidades tenham acesso as informações necessárias para que possam fazer uso das mesmas em prol de seus desenvolvimentos.






Na segunda parte do encontro tivemos a palestrante Michelle Plubins Bulkool que apresentou os principais documentos necessários que fazem parte da burocracia administrativa dos entes federativos e como fazer uso dos mesmos. na foto acima temos uma das participantes fazendo a demonstração do preenchimento de um oficio, documento muito usado nas demandas em questão.